DIAGNÓSTICOS

O diagnóstico de certeza da endometriose é cirúrgico, mas enormes avanços têm sido feitos entre os métodos não invasivos de detecção da doença, principalmente por imagem. Vários estudos desenvolvidos têm permitido taxas relevantes de sensibilidade (98% para a endometriose intestinal com o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, por exemplo).


DIAGNÓSTICO CLÍNICO +

Os seis principais sintomas da doença podem ocorrer isoladamente ou em conjunto. Em menos de 10% dos casos as pacientes são assintomáticas.

• Dores nas relações sexuais (dispareunia), usualmente de profundidade, que ocorrem quando o pênis encosta no fundo da vagina.  É um sintoma importante, mais acentuado em casos de endometriose profunda;
• Dores entre as menstruações. Com o avanço da doença, as pacientes podem apresentar dores acíclicas, contínuas ou intermitentes;
• Infertilidade. A endometriose é considerada atualmente uma de suas principais causas;
• Sintomas intestinais cíclicos, que correspondem a dores para evacuar, alterações no hábito  intestinal (diarreia ou obstipação) ou, em casos mais avançados, sangramento anal que  pode ocorrer principalmente no período menstrual;
• Sintomas urinários cíclicos se traduzem em dores para urinar ou até sangramento urinário  na menstruação.

O tempo médio entre o início dos sintomas e o diagnóstico da doença é de cerca de sete anos, e quanto mais cedo os sintomas aparecem, maior é esta demora. Por conta disso, campanhas têm surgido para fazer com que as pacientes procurem assistência médica logo ao apresentarem os sintomas e para estimular o diagnóstico mais precoce por parte dos médicos. Adicionalmente, a criação de organizações de pacientes, como o IAPE (Instituto de Apoio e Pesquisa em Endometriose), tem ajudado muito na busca de mais atenção para esta causa.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL +

Vários estudos têm sido feitos no sentido de se identificar exames laboratoriais que possam ser utilizados para diagnosticar a endometriose.

Contudo, ainda hoje sua sensibilidade é insuficiente, não permitindo que sejam empregados isoladamente no diagnóstico da doença.

• CA 125 : É um marcador sanguíneo desenvolvido na década de 80 para o diagnóstico de câncer de ovário. Em 1984, percebeu-se que doenças benignas, como a endometriose, poderiam apresentar um aumento dos níveis sanguíneos deste marcador. Com isto, estudos subsequentes mostraram que ele poderia participar do diagnóstico da doença, apesar da baixa especificidade deste método. Em 1996, foi descrita uma elevação deste marcador durante o período menstrual de portadoras de endometriose avançada, com a sugestão de que sua dosagem seja feita no primeiro, segundo ou terceiro dias do ciclo menstrual.

• Proteína Sérica Amiloide A (SAA): É uma proteína de fase aguda inflamatória, que pode estar elevada em pacientes com endometriose mais avançada. Ainda não faz parte da rotina diagnóstica desta doença. Sua maior elevação também é verificada durante o período menstrual.

• Outros marcadores: Várias proteínas têm sido testadas para o diagnóstico não invasivo da doença, no sangue e na urina, mas a sensibilidade destes métodos ainda é insuficiente para o diagnóstico laboratorial da doença.

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM +

Representou o grande avanço no diagnóstico não invasivo da endometriose na última década, por meio de exames como o ultrassom pélvico e transvaginal com Doppler colorido (e com preparo intestinal), a ressonância magnética da pelve e a ecoendoscopia retal (ecocolonoscopia). Atualmente, o método de imagem mais relevante é o ultrassom transvaginal com preparo intestinal.

• Ultrassom pélvico e transvaginal com vias urinárias e com preparo intestinal: Representa o método de eleição para a endometriose, consistindo de um ultrassom de pelve e transvaginal com vias urinárias feito por um profissional treinado e com um preparo intestinal simples – um laxante via oral na véspera e um laxante local (enema simples) uma hora antes do exame. O laxante da véspera é útil para a verificação do comprometimento do intestino delgado, ceco e apêndice pela doença, enquanto o enema serve para a identificação de focos de endometriose profunda comprometendo o reto e a região retrouterina. Pelo exame das vias urinárias, analisa-se o comprometimento de bexiga e ureter. Verifica-se sensibilidade de 95% para o diagnóstico da endometriose profunda retrocervical e de 98% para a endometriose de reto. Este exame é útil também para identificar focos de endometriose ovariana com mais de 1cm de diâmetro.

• Ressonância Magnética da pelve: é uma opção para pacientes com endometriose ovariana ou endometriose profunda, com menor sensibilidade que o ultrassom transvaginal com preparo intestinal. Pode ser indicado em caso de dúvida no diagnóstico da endometriose ovariana, na indisponibilidade do ultrassom especializado em endometriose ou em pacientes sem atividade sexual.

• Ecoendoscopia retal (ecocolonoscopia): é um recurso útil para o diagnóstico da doença profunda no compartimento posterior da pelve, mas com limitações para o diagnóstico da enfermidade se houver comprometimento dos ovários ou estiver presente no compartimento anterior da pelve. Deve ser feito com sedação e tem custo elevado, sendo indicado em casos de suspeita de endometriose profunda nos quais o ultrassom especializado não está disponível ou se há dúvidas sobre o comprometimento do reto e sigmoide.

• Colonoscopia: é indicada em casos de suspeita de estenose intestinal ou sintomas intestinais exuberantes, principalmente se a paciente tiver mais de 40 anos de idade.

• Urografia excretora: pode ser recomendada quando há suspeita de comprometimento dos ureteres pela endometriose, principalmente se o ultrassom específico diagnosticar dilatação nas vias urinárias.

• Urorressonância magnética: é uma alternativa para a urografia excretora, nos casos de dúvida em relação ao comprometimento ureteral.

• Cistoscopia: deve ser indicada se houver suspeita de endometriose de bexiga e pode ser feita no pré-operatório ou no início de uma laparoscopia, para se tratar a endometriose.

DIAGNÓSTICO LAPAROSCÓPICO +

É o recurso que permite a realização de biópsias e o diagnóstico definitivo da endometriose. Possibilita a visualização da doença peritoneal branca, negra e vermelha; dos endometriomas ovarianos ou da doença profunda com comprometimento da região retrocervical, do retosigmoide, do apêndice cecal, da bexiga e outros sítios mais distantes da enfermidade.

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